Parece que foi ontem e, no entanto, já se passaram 18 anos. Estávamos no início daquele fatídico verão de 1988. As aulas tinham terminado há pouco tempo e as férias repartiam-se entre o nada fazer e o fazer nada. Mentira; nessa altura já ajudava o meu pai. Afinal já tinha 15, a caminho dos 16 anos... Mas, tempo livre era o que não faltava até porque, ao contrário do que agora acontece, o tempo passava mais devagar.
Por esta altura, que não precisar ao certo, alguém disse que existia uma rádio pirata ali perto das nossas casas. Inclusivé, o irmão mais velho de um amigo meu era radialista. Lá fomos nós, o grupo da altura, falar com os responsáveis pela rádio, a saudosa Emissora Voz Sul, que emitia para Almeirim e Ribatejo nos 105.0Mhz do FM a partir dos seus estúdios localizados na Rua Condessa da Junqueira, bem perto do Depósito de Água. Depois dos testes vocais, lá fomos admitidos. Começámos como assistentes técnicos, o pomposo nome que se dava aos que iam à discoteca da rádio procurar algum LP ou single que o apresentador se tinha esquecido para a sua emissão.
Fomos fazendo progressos, alguns chegaram a ter a voz difundida pelo emissor. Felizmente, fui um desses!
Aprendi muito. Entrei para lá com uma cultura musical e saí de lá com outra.
Mas, como tudo na vida, o que é bom acaba depressa! A publicação da Lei n.º 87/88, de 30 de Julho, determinava que as denominadas rádios “piratas” cessassem as suas funções até ao dia 24 de Dezembro de 1988, por forma a puderem participar no concurso de atribuição de alvarás de emissão.
Terminava, assim, um episódio que me marcou bastante para o resto da vida. Há coisas que nos viciam: o tabaco, o álcool, as drogas, o trabalho. A rádio e a música também são um vício, um bicho que fica hibernado por longos períodos de tempo e que, de vez em quando, desperta.
Por isso resolvi alimentar o bicho através deste blogue; a comida ser fornecida consoante o seu apetite…